sexta-feira, 29 de julho de 2011

Um painel da dieta do brasileiro

Mais pobres comem poucas verduras; ricos bebem mais cerveja, diz IBGE
Júlia Dias Carneiro - Da BBC Brasil no Rio de Janeiro
Dados são de pesquisa que apura o que a população brasileira come e bebe no dia-a-dia
Brasileiros de menor renda comem menos frutas e verduras do que a população de maior renda, enquanto esta consome mais cerveja, pizza, refrigerantes e salgadinhos do que os segmentos mais pobres, segundo aponta levantamento divulgado nesta quinta-feira pelo IBGE.

Os dados são da pesquisa de Consumo Alimentar Pessoal no Brasil, realizada pela primeira vez pelo IBGE, para estimar o que a população come e bebe no cotidiano.

Notícias relacionadasUnicef faz 1ª entrega de alimentos a crianças vítimas da seca na SomáliaBritânica que passou 3 anos comendo arroz vence alergiaMenor produção de açúcar no Brasil ‘influencia alta dos alimentos no mundo’Tópicos relacionadosBrasil, SaúdeOs resultados, parte da Pesquisa de Orçamentos Familiares 2008-2009, indicaram como a diferença de renda influi sobre a dieta de ricos e pobres.

Entre os 25% de brasileiros com menor renda per capita (R$ 241), produtos naturais como arroz, feijão, farinha de mandioca e preparações à base de milho são mais ingeridos que entre os mais ricos, mas frutas e verduras têm participação menor.

Nesta faixa, por exemplo, apenas 8,9% dos brasileiros tiveram salada crua no cardápio nos dias da pesquisa, número que pulou para 23,7% na faixa de maior renda.

Renda

O consumo de frutas e verduras aumenta conforme a renda, assim como o de produtos como leite desnatado e queijo. No caso do último, o consumo é mais do que cinco vezes maior entre os 25% mais ricos.

Nesta faixa mais alta de renda (com R$ 1.089 de renda per capita), porém, também há forte presença de alimentos considerados marcadores negativos da qualidade da dieta.

Entre os mais ricos, 31,2% tomaram refrigerantes nos dias em que foi realizada a pesquisa (contra 14,4% dos mais pobres); 18,4% comeram salgadinhos fritos e assados (contra 8,6%); e 5,6% tomaram cerveja (contra 1,3%).

No geral, o consumo de cerveja e bebidas destiladas é cinco vezes maior entre homens do que entre mulheres.

A base para a estimativa foi um levantamento de todo o consumo individual de brasileiros de 10 ou mais anos de idade durante dois dias aleatórios. Eles listaram tudo o que efetivamente comeram e beberam, do chocolate ao cafezinho, em casa ou fora.

O café é a bebida mais consumida pelo brasileiro, que toma, em média, mais de 200ml do produto por dia – o equivalente a uma xícara grande.

Carências e excessos

O consumo médio revelou carências e excessos em larga escala. Quantidades excessivas de gordura são ingeridas por 82% da população, e de açúcar, por 61%. Já em relação ao sódio, mais de 70% das pessoas consomem mais sódio do que o tolerável, confirmando o alto consumo de sal, o vilão da hipertensão.

Por outro lado, na dieta do brasileiro há carência de fibras, cálcio e vitaminas. Na população de 19 a 59 anos, o consumo diário insuficiente de cálcio atinge 83% dos homens e 90% das mulheres. Já entre as pessoas com 60 anos ou mais, a carência da vitamina E atingiu 100% para ambos os sexos, e a falta de vitamina D chegou a 99%.

Entre os adolescentes (10 a 19 anos), faixa etária em que os problemas do excesso de peso e da obesidade vêm se agravando, os hábitos corroboram a tendência. Quase 50% fizeram uma refeição ou um lanche fora de casa no dia da pesquisa.

Entre os itens mais consumidos na rua, eles citaram batata frita, pizza, refrigerantes e salgadinhos fritos, assados ou industrializados.

Segundo a pesquisa, 40% dos brasileiros comem fora de casa em algum momento do dia, mas aqui, também, a frequência cresce com a renda. Enquanto na faixa mais pobre o hábito apareceu entre 32% das pessoas, entre os mais ricos o hábito foi reportado por mais de metade dos pesquisados.

Fonte:

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/07/110728_ibge_comida_jc.shtml

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Benefícios do óleo de pequi

Óleo de pequi usado no tratamento de doenças cardiovasculares
Pesquisadores da Universidade de Brasília analisaram ao longo de dez anos as propriedades do pequi, fruto típico do cerrado brasileiro, e desenvolveram um produto com efeitos fitoterápicos que ajuda a evitar a formação de placas de gordura nos vasos sanguíneos, o que diminui os riscos de problemas cardíacos. O óleo de pequi será comercializado em forma de cápsulas, e a previsão de entrada no mercado é no próximo ano. Ele fica classificado na categoria nutracêuticos, uma posição que o coloca entre um alimento e um remédio. "É um produto que incrementa as funções fisiológicas, revigorante e que vai além de um alimento", explica o biólogo Cesar Koppe Grisolia, autor da pesquisa. "O que desenvolvemos tem tanto propriedades nutracêuticas como fitoterápicas, mas vamos registrar na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) apenas na primeira categoria, porque o processo é mais simples e barato". O pequi é altamente nutritivo, rico em vitaminas e sais minerais e compostos antioxidantes, que capturam radicais livres, moléculas nocivas formadas nos organismos. “Para que as pessoas possam fazer uso de suas propriedades, desenvolvendo cápsulas de extrato da polpa e outras de óleo de pequi", conta o biólogo. Outro benefício trazido pelo produto é a capacidade de exploração sustentável, que pode trazer renda à população das regiões de onde serão retirados os frutos, preservando o pequizeiro, árvore ameaçada de extinção.
Fonte: Bom dia, doutor - www.hebron.com.br

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Obesidade e distribuição de gordura

A distribuição de gordura é importante na obesidade

Um estudo apresentado no Encontro Anual da Sociedade Internacional para Ressonância Magnética em Medicina de 2011, mostra que em indivíduos obesos, a distribuição do tecido adiposo, tanto no corpo quanto no fígado e no músculo esquelético, é um importante preditor da sensibilidade à insulina.

"A partir desses achados, o índice de massa corpórea isoladamente parece não ser uma boa medida para a obesidade em termos de alterações metabólicas", disse Jürgen Machann, Dipl. Phys., da Seção Experimental em Radiologia do Hospital Universitário de Tübingen, na Alemanha. "Parece haver uma forma benigna de adiposidade. Quanto menor a gordura no corpo, melhor para o estado metabólico, expresso pela sensibilidade à insulina", disse ele.

O estudo incluiu 144 voluntários obesos, dos quais 90 eram do sexo feminino e 54 do sexo masculino, com média de idade de 47 e 44 anos, respectivamente. Todos os indivíduos tinham risco aumentado de desenvolver diabetes tipo 2 índices de massa corporal entre 33 e 35 kg/m2 .

A quantificação dos diferentes compartimentos de tecido adiposo foi realizada através de imagens de ressonância magnética ponderadas em T1, enquanto a espectroscopia com voxel único foi utilizada para determinar lipídios ectópicos no fígado e no músculo esquelético.



As medidas de tecido adiposo incluíram tecido adiposo total; tecido adiposo visceral; tecido adiposo subcutâneo abdominal; tecido adiposo dos membros inferiores, medido a partir dos pés até a cabeça do fêmur; e do tecido adiposo dos membros superiores, medido desde a cabeça do úmero às pontas dos dedos.

O pós-processamento foi realizado através de um procedimento de segmentação semi-automático. No total, entre 100 e 120 imagens foram geradas por paciente, cada qual levou cerca de 20 minutos, disse o Dr. Machann.

Os indivíduos foram divididos em 2 grupos, após um teste oral de tolerância à glicose, em sensíveis à insulina ou resistentes à insulina.

Apesar de não haver diferenças significativas entre os grupos em termos de índice de massa corpórea, percentual de tecido adiposo total (entre 37% e 49%), ou percentual de tecido adiposo subcutâneo abdominal (entre 14% e 20%), os indivíduos que eram resistentes à insulina tiveram maior porcentagem de tecido adiposo visceral em comparação com indivíduos sensíveis à insulina - uma diferença que por pouco não atingiu significância estatística (5,2% versus 5,9%, p = 0,07) no sexo masculino, mas foi significante no sexo feminino (3,3% versus.3.9%, p = 0,02), disse o Dr. Machann.

Por outro lado, os indivíduos sensíveis à insulina tiveram maior percentual de tecido adiposo em extremidades inferiores em comparação com indivíduos resistentes à insulina (14% versus.12% com p = 0,04, nos homens e 20% versus 18% com p = 0,002, em mulheres).

Os resultados para o tecido adiposo na parte superior do corpo são menos claros com as mulheres resistentes à insulina, mostrando porcentuais significativamente maiores do que aquelas sensíveis à insulina, embora os homens resistentes à insulina apresentam percentagens ligeiramente inferiores àqueles sensíveis à insulina.

Os lipídeos hepáticos estão mais do que dobrados em homens e mulheres com resistência à insulina em comparação com indivíduos sensíveis à insulina (p < 0,001 para ambos), relatou Dr. Machann.

A adiposidade "benigna" parece ser caracterizada por diminuição dos níveis de lipídios hepáticos e quantidades aumentadas de tecido adiposo nas extremidades inferiores, concluiu o investigador alemão.

"Isso reflete as bem conhecidas formas de maçã e pera, mas temos que reconhecer que há mesmo 'homens peras' e 'mulheres maçãs'", disse ele.

As conclusões ressaltam o papel importante que a imagem pode desempenhar na prática clínica diária, disse Scott Reeder, MD, PhD, um dos moderadores da sessão, professor adjunto e chefe das seções de ressonância magnética e imagem cardiovascular da Escola de Medicina e Saúde Pública da Universidade de Wisconsin em Madison.

"Eu acho que essa é uma coisa razoável que devemos pesquisar no futuro, uma vez que vêm surgindo novas técnicas, que podem fazer essa análise rapidamente", disse ele em entrevista.

"Se há alguma preocupação com o peso ou com o índice de massa corpórea do paciente, poderia se buscar uma resposta mais precisa através das imagens ", disse Dr. Reeder. Anteriormente, levaria muitas horas para segmentar todas as áreas e para medir a gordura visceral versus subcutânea, mas agora há formas mais automatizadas de se fazer isso. Assim, por exemplo, com apenas alguns minutos de exame e, em seguida, de segmentação automática, pode-se prontamente obter a resposta, o que realmente abaixa o custo. É rápido, não-invasivo e é barato. "

Dr. Machann e Dr. Reed não revelaram relações financeiras relevantes.

International Society for Magnetic Resonance in Medicine (ISMRM) 2011 Annual Meeting: Abstract 739. Presented May 13, 2011

Freelance writer, Montreal, Canada

Fonte: http://www.medcenter.com/Medscape/content.aspx?id=29656&langtype=1046

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Hepatites virais - Seleção para Projeto de Extensão

AMBULATÓRIO DE HEPATITES NO COMPLEXO HOSPITALAR DE DOENÇAS INFECTO-CONTAGIOSAS DR. CLEMENTINO FRAGA

Projeto 57 do Programa de Extensão da UFPB

Data seleção: 6a feira, dia 20 de maio 9.30 h , sala 102 do CCS

Coordenadora: Maria de Fátima Duques de Amorim

Estudantes:

1.Curso de Medicina (já tendo cursado ou cursando a disciplina Gastroenterologia)

2. Curso de Nutrição (já tendo cursado ou cursando a disciplina Fisiopatologia da Nutrição)


Para a seleção:


a) Estudo de uma cartilha q a PRAC fornece (informe-se na Assessoria de Extensão do CCS) -
b). Algumas questões sobre hepatites crônicas B e C tais como:

1. Prevalência das hepatites crônicas B e C no Brasil e no mundo
2. Conseqüências clínicas das hepatites crônicas B e C
3. Alterações nutricionais decorrentes da infecção crônica por virus B e C das hepatites
4. Medidas preventivas e políticas públicas atuais no Brasil quanto às hepatites crônicas B e C
5. Importância da abordagem integrada das hepatites crônicas B e C e impacto na saúde pública local

Consultar: site do Ministério da Saúde (sobre Hepatites Virais) na net; Gastroenterologia - Dani; Nutrição - Krause; Nutrição - Augusto; site do Grupo Otimismo (ONG): www.hepato.com
.

Fala o "Vigilantes do Peso"

Sistema de contagem de calorias é ultrapassado, dizem Vigilantes do Peso

Pessoas que desejam perder peso não deveriam basear sua dieta em contagens de calorias presentes nos alimentos, segundo a organização Vigilantes do Peso.

A entidade diz que a caloria, uma medida de energia usada há dois séculos, é um indicador ultrapassado para medir com precisão a quantidade de energia que extraímos dos alimentos.

Falando à BBC, uma nutricionista da organização disse que o problema desse sistema é que ele não leva em conta a quantidade de energia usada pelo organismo para digerir a comida.

Zoe Helman disse, por exemplo, que o corpo gasta até 25% das calorias contidas em um bife para digeri-lo.

"Mas quando você come uma porção de manteiga, praticamente toda a energia presente no alimento é absorvida pelo organismo", explicou.

Os Vigilantes do Peso dizem ter criado um novo programa de emagrecimento que incorpora descobertas científicas recentes e leva em conta características individuais, como sexo, idade, peso e altura.

Outros especialistas admitem que a caloria é uma medida aproximada, mas argumentam que diminuir o consumo de calorias é um maneira simples e efetiva de perder peso.

Histórico

A caloria é uma medida de energia. Uma caloria equivale à quantidade de calor necessária para se elevar em um grau centígrado a temperatura de um grama de água.

A tabela de calorias em que fabricantes de alimentos se baseiam para informar o consumidor sobre valores calóricos de produtos foi criada pelo químico americano Wilbur Atwater na segunda metade do século 19.

Em seus experimentos, Atwater queimou diferentes tipos de alimentos e mediu a quantidade de energia gerada.

Depois, ele calculou a quantidade de energia - ou de alimento não digerido - presente em excrementos humanos e restos de comida.

Após comparar os valores energéticos presentes nos dois grupos, ele concluiu que cada grama de carboidrato produz quatro calorias, cada grama de gordura produz nove e cada grama de proteína produz quatro calorias.

O Custo Energético da Digestão

Com base em estudos recentes, alguns especialistas argumentam, no entanto, que os cálculos feitos por Atwater apresentam uma margem de erro de até 25% e que portanto não são confiáveis.

Um desses especialistas é o nutricionista e consultor em dietas Geoffrey Livesey, ex-pesquisador da unidade de nutrição do Medical Research Council da Grã-Bretanha.

Segundo Livesey, a textura da comida, a quantidade de fibras que ela contém e a forma como é cozida afetam a quantidade de energia que o corpo consegue retirar do alimento.

Até o processo de mastigar o alimento gasta energia e, portanto, calorias, ele explica.

A regra básica é, quanto mais proteína ou fibra um alimento contém, mais trabalho é necessário para digeri-lo. Ou seja, menos energia sobrará para o organismo.

"Quando você considera que as calorias vêm sendo usadas como única medida para a compreensão do impacto dos alimentos na perda de peso por quase 200 anos, apesar dos imensos avanços na ciência nutricional, você percebe quão ultrapassada a contagem de calorias é".

'Consciência Calórica'

Mas nem todos os especialistas da área defendem a ideia de abolir a caloria como um referencial.

A chefe do departamento de nutrição do Medical Research Council, Susan Jebb, disse que a diferença é pequena.

"Quando se trata de aconselhar o público e levar as pessoas a comer menos calorias, não estou certo de que isso (abolir o uso da caloria como um referencial) seria útil".

"Se você está tentando perder peso, tem de estar consciente das calorias - e não contando as calorias o tempo todo".

Gaynor Bussell, nutricionista e porta-voz da British Dietetic Association, diz que o que importa é comer de forma saudável e acrescenta que isso não é uma ciência exata.

"O importante é comer menos calorias para que o corpo fique com um balanço de energia negativo (ou seja, gaste mais energia do que a que consome). Como você calcula isso, não importa".

Uma Nova Proposta

Com seu novo programa de dieta para emagrecimento, a organização Vigilantes do Peso diz estar incorporando estudos científicos recentes para criar um sistema mais preciso do que a contagem de calorias.

O programa, batizado de ProPoints, cria dietas que levam em consideração características individuais dos participantes.

Além disso, os alimentos são divididos em quatro grandes categorias - proteínas, gorduras, carboidratos e fibras.

Frutas e a maioria dos legumes e verduras têm zero ProPoints, ou seja, segundo o programa, esses alimentos podem ser consumidos à vontade.

O sistema é baseado na "quantidade de energia que está disponível em um alimento após você comê-lo", diz a organização.

Com base nas declarações dos vários especialistas ouvidos pela BBC, fica claro que não há um consenso.

Vale lembrar, no entanto, que a agência de ONU para agricultura e alimentação, FAO, estudou o assunto há alguns anos e decidiu que mudar a forma como calorias são calculadas envolveria muitos transtornos e dinheiro - para ganhos marginais.

Fonte: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2010/11/101101_vigilantes_peso_caloria_mv.shtml
Fonte da foto:www.reidaverdade.com

Site do Vigilantes do Peso: http://www.vigilantesdopeso.com.br/index.aspx

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Centro Acadêmico Emílio Ribas faz campanha para regulamentar a publicidade e propaganda de alimentos

Estamos recolhendo assinaturas, por meio de um abaixo-assinado, para regulamentar a publicidade e propaganda de alimentos, fórmulas infantis e de nutrição enteral e parenteral em ambientes acadêmicos relacionados aos cursos de Nutrição.

Este abaixo-assinado será enviado ao Conselho Federal de Nutricionistas e aos Ministérios da Saúde e da Educação

Se também for contra essa prática nos cursos de Nutrição, assine e nos ajude a divulgar.

http://www.peticaopublica.com.br/?pi=P2011N9540

Abraços,

Centro Acadêmico Emílio Ribas
Nutrição - FSP - USP
Av. Dr. Arnaldo, 715 São Paulo-SP
Fone/Fax: (11) 3061-7725
[www.caemilioribas.wordpress.com]

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Jornal Brasil de Fato: entrevista sobre a crise alimentar

“A comida entrou na roda financeira”

Spensy Pimentel
Desinformémonos

* Entrevistas

Para Walter Belik, especulação e irresponsabilidade dos governos neoliberais levou a crise que ainda deve durar vários anos

O índice da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) que monitora, desde 1990, os preços internacionais de alimentos chegou a um recorde em fevereiro deste ano, alcançando 236 pontos. Em março, ele voltou a cair, após oito meses de altas. A queda foi de 2,3% em relação ao mês anterior, mas o índice ainda está 37% do nível de março de 2010.

No mundo do jornalismo atual, uma notícia desse teor pode parecer algo abstrata e sem sentido, mas bilhões de pessoas em todos os continentes têm percebido em sua vida cotidiana, nos últimos anos, os efeitos de uma alta generalizada nos preços da comida.

Aqui e ali, são esboçadas explicações suspeitas, como quebras de safra em determinadas regiões, flutuações do preço do petróleo e até o aquecimento global. Frequentemente, o deus Mercado é culpado por essa inflação. Mas, o que realmente está acontecendo? Para entender melhor o fenômeno, procuramos Walter Belik, professor do Instituto de Economia da Universidade de Campinas.

Belik pertence a uma linhagem de intelectuais que não goza de grande prestígio nestes tempos de hegemonia do mercado financeiro. Ele se dedica a pensar a alimentação humana e a idéia de segurança alimentar. A inspiração vem do brasileiro Josué de Castro, a cuja obra faz constante menção o trabalho dele e seus parceiros – gente como José Graziano da Silva, hoje representante regional da FAO para a América Latina. Dez anos atrás, junto com Graziano, Belik coordenou o projeto Fome Zero, adotado como parte do programa de governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

Na entrevista a seguir, Belik defende a tese de que não faltam alimentos no mundo – o verdadeiro problema que tem gerado a alta dos preços é, segundo ele, a inação dos governos nacionais, nos últimos anos, permitindo que se perdesse de vista a necessidade de monitorar preços e manter estoques, a fim de não prejudicar a vida de bilhões.

Desinformémonos - Vivemos uma “crise alimentar mundial”?

Walter Belik - Concordo em termos, porque essa expressão tem sido usada pelos dois lados, temos que tomar um pouco de cuidado. Muita gente quer dizer que há uma crise de oferta, mas não há. O que há é uma crise provocada pela alta dos preços dos alimentos, então isso impacta na demanda, você tem populações que não conseguem consumir em função da alta dos preços dos alimentos.

Você tem várias motivações para puxar essa bandeira da “crise dos alimentos” pelo lado da oferta, que acho que é importante retomar. Essa ideia acabou dando muito combustível para aqueles que levantam uma teoria que é quase um neomalthusianismo, de que existe uma incapacidade do mundo de garantir a oferta de alimentos – por vários fatores, como o crescimento da demanda, por exemplo. Dizem: a China está crescendo 13% ao ano. Enquanto os chineses se subalimentavam conseguíamos equacionar o problema, mas agora que a China começa a crescer, isso complica Dizem o mesmo incluindo o Brasil, a Índia, países em desenvolvimento em geral.

Existe uma outra vertente que, junto com os ambientalistas (que, na minha opinião, ingenuamente entram nessa discussão), diz que o problema é com os biocombustíveis, que estão deslocando a produção agrícola e consequentemente fazendo faltar alimento. Neste caso, é uma meia verdade.

Há quem diga, ainda, que estamos precisando de uma nova revolução tecnológica, porque vai faltar alimento, precisamos melhorar a produtividade, porque está caindo etc. Quem defende essas posições é o pessoal dos transgênicos. Dizem que precisamos de um novo paradigma tecnológico, a transgenia, que não adianta mais seguir nos passos da revolução verde (melhoramento genético, dignificação da agricultura). É uma vertente complicada e é preciso pensar um pouco antes de defender essas coisas.

Então, há várias vertentes que tentam atacar a questão pelo lado da oferta, dizendo que não vai ter alimento. O que está por trás desta ideia? A ideia de que os governos têm que dar mais subsídio, têm que fechar seus mercados, não podem deixar exportar livremente, senão falta alimento, têm que investir mais na agricultura. É um viés fisiocrático, ruralista, de querer mostrar que a agricultura precisa ser mais prestigiada, e isso é muito perigoso.

Não faltam alimentos no mundo

Os preços subiram muito rapidamente em função de outros fatores, que não têm a ver com falta de oferta. Muito pelo contrário, existe uma oferta que vem crescendo de forma bastante constante ao longo do tempo. Inclusive em 2008 [ano em que os preços dos alimentos chegaram a pico histórico, agora novamente atingido], que não foi um ano ruim para a agricultura, houve apenas alguma frustração de safra em alguns países: a seca na Austrália, o problema do açúcar na Índia, o da soja na Argentina, alguns problemas na Rússia, algumas frustrações, mas é absolutamente normal que todo ano algum país do mundo tenha um problema de frustração de safra.

Vemos, então, que não é um problema de falta de oferta, é um problema de que os preços estão sendo puxados por outros fatores, que estão além da produção agrícola. Essa alta dos alimentos está levando a que um grande contingente da população não consiga consumir, e aí nós estamos falando de países que já vinham sofrendo problemas econômicos – países africanos, alguns países da Ásia (Paquistão, Bangladesh, Mianmar), todos bastante complicados do ponto de vista de poder aquisitivo. Então, existe um problema de demanda, que faz com que a gente possa dizer que existe uma crise do alimento, sim.

Então, por que os preços dos alimentos estão subindo?

Visto isso, o que está pressionando a alta dos preços dos alimentos? Em primeiro lugar, um certo nervosismo do mercado em função da crise financeira, principalmente, além de alguns problemas geopolíticos que fazem com que o preço do petróleo continue subindo (aliás, o petróleo hoje está a US$ 105 e está subindo violentamente em função dos conflitos políticos nos países árabes, mas, em 2008, estava a US$ 75,8, já tinha subido no momento anterior).

Há, sobretudo, esse problema da especulação com commodities, que faz com que os alimentos virem ativos. A comida entra na roda financeira como qualquer outro ativo e perde o status de alimento, de uso, passa a ser só um elemento de troca.

Em segundo lugar, o que eu acho mais grave, os países abriram mão de formar estoques reguladores. Antigamente, quando se começava a pressionar muito a alta dos preços, os estoques reguladores entravam para minimizar essa alta, os países lançavam mão dos estoques, colocavam no mercado e seguravam a alta. Então, se é um problema sazonal, de quebra de safra, tudo bem, há estoques reguladores que entram. Agora, os países abriram mão de ter isso.

Por quê? Em função de 15 anos de neoliberalismo. Para que formar estoques reguladores? Do ponto de vista neoliberal, estoques reguladores, em primeiro lugar, são uma forma de intervenção do Estado nos mercados, então o Estado não pode gastar dinheiro comprando produtos agrícolas. Mesmo porque, num cenário de abertura comercial, de queda de barreiras, se o preço aumenta em um país, esse consumidor, esse comprador desse país, pode comprar no país vizinho, uma vez que estamos vivendo uma perspectiva de integração de mercados, de globalização.

Todo esse ideário se mostrou uma bobagem, porque os países não acumularam estoques e, na primeira crise que aconteceu, quem necessitava de alimentos para consumo alimentar teve que comprar os alimentos nos países vizinhos a preços de mercado, repassando esse preço para o mercado interno.

Especulação financeira

Tirando essa questão de os países não acumularem estoques, não há nenhum motivo real que justifique uma crise, não existe escassez. Ao contrário do que muitos defendem, de que a crise é porque está faltando alimento, não é isso, não está faltando alimento. Mesmo os países que cresceram rapidamente, como a China, aumentaram sua produção agrícola de uma forma muito grande. Então, esses países estão dando conta da coisa. Aliás, quando você compara a produtividade da agricultura, o rendimento agrícola, e os aumentos de áreas, todos continuam crescendo a taxas superiores ao aumento da população. O que acontece é que os rendimentos [dos trabalhadores] não estão crescendo a taxas cada vez maiores, mas sim a taxas talvez cada vez menores, mas ainda muito acima do crescimento da população.

O Milho

O México abdicou de ter uma soberania alimentar em nível nacional. No momento em que foi feito o Nafta, o México, que não tinha competitividade para produzir milho e não tinha capacidade para atender a toda a população, acabou abrindo as fronteiras de uma forma totalmente indiscriminada para o milho norte americano. O que aconteceu com a questão do biocombustível? Só o anúncio do Bush de que iria multiplicar por 4 ou 5 a produção de etanol do milho para mistura na gasolina já provocou uma alta enorme no preço do milho no México – porque com essa integração de mercado você cria um sistema de vasos comunicantes.

E, quando a crise estourou, não só o México deixou de receber milho, como uma parte da produção mexicana foi desviada para atender à demanda norte americana. E aí se comenta muito sobre o fato de que basicamente o milho utilizado para ração e para produção de etanol seria o milho amarelo, e o milho para tortilha seria o milho branco. Esse milho branco, um produto absolutamente alimentar, cujos rendimentos industriais são baixos, começou a ser utilizado para produção de etanol e para especulação. É um exemplo acabado dessa situação de falta de estoques reguladores, falta de um padrão de intervenções mais consistentes que garanta a alimentação da população. Não aconteceu só com o México, foi com a Guatemala, Honduras, vários países da América Central.

Revoltas Árabes

Sim, há o aumento de preços da comida, a inflação é um componente importante na insatisfação popular, mas a coisa começou a se manifestar muito mais em função da crise financeira, que fez crescer o endividamento desses países, provocando corte de gastos públicos, desemprego. Agora, nessas situações desses países, o suprimento de alimentos começa a ficar complicado. Isso acontece em todo momento de agitação social, o preço do alimento sobe.

O futuro

Todo mundo concorda que essa crise não é passageira, é uma crise que vai perdurar durante mais alguns anos. Há uma tendência de altas dos preços dos alimentos que, ainda estão muito colados à questão das outras commodities. Acho que vamos ter de conviver com isso ao longo dos próximos anos. De certa forma, o alimento ainda é barato, houve um barateamento generalizado dos alimentos. Isso talvez comece a reverter. Talvez o alimento, como um bem necessário para a saúde da população, comece a ser um pouco mais valorizado.

É curioso, por exemplo, que, agora na reunião do G20, o Sarkozy propôs um maior controle no preço dos alimentos, inclusive [com formação de] estoques. Houve uma grita generalizada. É uma posição correta. O mundo todo, quando acabou a 2a Guerra Mundial, viveu uma crise de alimentos, porque essa guerra abalou a economia de uma forma muito profunda, a Europa ficou arrasada, não tinha como produzir alimento, e os EUA estavam vindo de um esforço de guerra. Então, propôs-se um controle mundial sobre os alimentos, haveria um banco mundial de alimentos, países seriam financiados para produzir, haveria uma série de medidas de incentivo as países para que houvesse um equilíbrio no seu consumo e oferta. Isso não foi aprovado.

Hoje, o que se está propondo é um pouco isso: ora, por que não se resolve o problema dos países africanos, por exemplo, que são importadores líquidos de alimentos? Por que não se investe pesadamente na oferta de alimentos desses países? No G20, agora, não há um consenso sobre isso, nem vai haver. A posição do Brasil, por exemplo, é um pouco a do ministro da Agricultura [oriundo da direita ruralista], que, outro dia em uma entrevista disse: “Agora que o preço os países dos alimentos está bom, que o agricultor está se dando bem, os países ricos querem controlar o preço, que história é essa?” Então, não há consenso e nem vai haver no curto prazo.

Enquanto não se resolver esse tipo de coisa, a crise vai durar. Vai durar enquanto não houver um programa de recuperação desses países pobres, para que possam produzir, enquanto não houver um programa mundial de estoque, uma espécie de banco de alimentos de estoques reguladores, que venham a salvar. O Programa Mundial de Alimentos da ONU tenta fazer isso, mas com doações de excedentes – ou seja, é algo extremamente tímido e depende da caridade dos EUA e de outros países ricos. Então, é preciso uma institucionalidade internacional que possa dar conta disso tudo.

Só que os países não conseguem chegar num consenso, assim como não conseguiram chegar com relação à crise financeira internacional. No caso dos alimentos é ainda mais complicado, porque alimento envolve países pobres, que não têm força política.

Combate à pobreza x segurança alimentar

O Fome Zero tem uma proposta bastante abrangente de resolver o problema da segurança alimentar (inclui itens como merenda escolar, apoio à agricultura familiar etc.), e o governo Lula avançou bastante no combate à pobreza, via transferência de renda, que era uma linha de menor resistência. Avançou-se bastante no programa Bolsa Família, que cobre 12 milhões de famílias abaixo da linha da pobreza. A pobreza tem uma aderência com a questão da segurança alimentar, mas não são a mesma coisa. O problema de insegurança alimentar extrapola a pobreza, mesmo porque a segurança alimentar pressupõe uma estabilidade. O programa Bolsa Família visa amenizar as condições de pobreza das pessoas, mas ele está agora em um processo de rediscussão, no sentido de garantir que se possa permitir a superação da pobreza, não apenas amenizá-la.

Quando o dinheiro vira problema

A gente está questionando bastante esse padrão alimentar que está se estabelecendo a partir do Bolsa Família. Várias pesquisas do governo mostram que os beneficiários gastam entre 70 e 80% da renda com alimento – muito bem, mas vamos ver que alimentos que estão sendo consumidos, em muitos casos é alimento não saudável, alimento industrializado. Muitos dizem: “Eles também têm direito a tomar coca-cola”. Tudo bem, eles têm direito, mas não e função do Estado transferir renda para que eles tomem coca-cola.

Fazer transferência de renda para uma comunidade indígena, por exemplo, pode ser uma violência. Eu lembro quando começamos a trabalhar com o Programa Fome Zero, estive em algumas áreas indígenas, e se criticava muito o programa de cesta básica, que existia antigamente, quando a cesta básica era dada às famílias indígenas e não tinha nada a ver com a alimentação daquela família. Aprendemos com essas experiências, isso já não se faz mais, mas por outro lado ainda estamos no começo de poder trabalhar melhor um programa alimentar para essas famílias. Todos os programas alimentares teriam que ter esse componente da produção local, da pesca, e como você vai incentivar? Tem uma série de questões que vão ter que ser tratadas e equacionadas caso a caso.

Fonte: Brasil de Fato, http://www.brasildefato.com.br/node/6191